Das várias escolas onde estudei, a que mais me marcou foi sem dúvida o Ar.co . Foi lá que aprendi a ser fotógrafo, mas foi lá também que percebi que uma escola pode ser muitas coisas que vão para além do modelo tradicional. No Ar.co respira-se liberdade de pensamento e a diferença não só é aceite como encorajada. Uma escola perigosa para alguns, essencial para outros. Os mestres que tive influenciaram-me de tal forma, que ainda hoje, quase vinte anos depois, recordo com frequência os conselhos que me deram. A primeira professora com quem tive contacto foi a Margarida Dias que tinha duas ou três frases inesquecíveis: “Se querem fotografar o ceguinho da Rua Augusta sejam honestos e vão falar com ele primeiro!”, “Aqui não há artistas, quem quer ser artista aprende primeiro a técnica!” e ainda “Mas porque é que só fotografam de dia? À noite também há luz!”

Ontem acordei às 5 da madrugada para fotografar, parei três horas depois e só voltei a pegar na máquina lá pelas onze da noite. Concentrado em testar as possibilidades de uma nova máquina (a incrível Canon 1DX) fiquei muito longe de explorar o caminho (que só as luzes, as sombras e os ambientes da noite podem revelar) para onde a Margarida nos queria levar,  mas foi inevitável lembrar-me dela e de como os bons professores ficam para sempre.

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